Ocorrências da Sessão (37ª Ordinária de 2025 da 1ª Sessão Legislativa da 8ª Legislatura)

Em seguida, o Presidente, deixou a palavra livre para os vereadores se pronunciarem no prazo regimental. O Vereador Alberto registrou sua indignação diante de nova situação ocorrida na semana, destacando que, faltando apenas 17 dias para o Natal, foi realizada uma licitação no valor aproximado de R$ 200.000,00 (cento e noventa e três mil reais) destinada à aquisição de enfeites natalinos. O vereador afirmou considerar tal gasto um desrespeito à população, classificando-o como um exagero e um absurdo, sobretudo diante do cenário administrativo atual.

Acrescentou que teme, inclusive, que despesas dessa natureza possam futuramente comprometer o pagamento dos servidores municipais, ressaltando que a administração tem extrapolado os limites de responsabilidade. Declarou, ainda, que o trabalho de fiscalização tem se tornado cada vez mais difícil, apesar de ser dever constitucional dos vereadores cuidarem do patrimônio público e do bom uso dos recursos municipais como está esta gestão.

O vereador Roberto Franco de Lima, fazendo uso da palavra, dirigiu-se ao Senhor Presidente, aos demais vereadores, ao público presente e aos que acompanhavam a sessão pelas redes sociais, cumprimentando a todos.

Iniciou sua fala mencionando que, ao ouvir afirmações de que estaria sendo difícil fiscalizar, entende que essa dificuldade depende da forma como cada vereador realiza sua análise. Ressaltou que, segundo sua percepção, tem-se observado apenas críticas, sem o devido reconhecimento das ações positivas realizadas pela administração municipal. Enfatizou que diversos trabalhos vêm sendo executados em prol da população, especialmente nas áreas de saúde, estradas e demais setores, e que tais ações também merecem ser mencionadas.

O vereador destacou a construção da ponte anteriormente discutida nesta Casa, lembrando que, quando questionado se teria coragem de atravessá-la com um caminhão, respondeu que não, mas que, graças ao trabalho realizado, a obra encontra-se concluída. Ressaltou que outras pontes já estão em fase de encaminhamento para execução.

Registrou seu agradecimento ao Prefeito Municipal Maurício Bueno de Camargo, ao Vice-Prefeito Fernando, ao Secretário Municipal José Tramela e à equipe envolvida na obra, destacando que, embora seja obrigação da administração atender às demandas da população, o gestor poderia, eventualmente, optar por priorizar outras ações. Reiterou que muitos moradores que utilizam aquela estrada já demonstraram gratidão pela melhoria.

O vereador prosseguiu afirmando que muitos podem dizer: “Ah, não é mais do que obrigação fazer”. Contudo, ressaltou que o prefeito poderia simplesmente deixar de atender aos pedidos feitos pelos vereadores e direcionar esforços para outros setores. Destacou que diversas ações positivas vêm sendo realizadas pela administração municipal, mas que muitas vezes não recebem o devido reconhecimento.

Afirmou ainda ter certeza de que a população agradece, especialmente aqueles que utilizam diariamente a estrada beneficiada pelas melhorias recentemente executadas.

Aproveitou para agradecer também ao senhor Luiz Favoreto, da Fazenda Bicadu, pela cessão dos eucaliptos utilizados como base estrutural da ponte, bem como pelo apoio em outras obras na região da Vila Diniz, incluindo a futura ponte da Tereza, que igualmente utilizará o material doado.

O vereador ressaltou que cada parlamentar possui seu próprio método de fiscalização e que, em sua avaliação, os fatos apontados não justificariam a dimensão alcançada pelas discussões recentes. Reafirmou sua posição contrária à CPI, esclarecendo que somente apoiará procedimentos dessa natureza quando, em seu entendimento, houver evidências claras de que o prefeito esteja praticando atos lesivos ou se apropriando de recursos públicos de forma indevida.

O vereador registrou agradecimento ao Secretário Municipal Vlaumir pelos trabalhos realizados nas estradas, reconhecendo que, apesar das dificuldades enfrentadas pelo maquinário, os serviços vêm apresentando bons resultados. Destacou ainda que, mesmo diante das cobranças feitas nos últimos dias, o secretário tem desempenhado suas funções com compromisso, juntamente com sua equipe. Ao final, reiterou seus agradecimentos pelo esforço e dedicação dispensados. ”

O Presidente acrescentou que, em relação à reforma realizada na ponte, esta receberá posteriormente uma construção em alvenaria. Informou que já existe um projeto encaminhado pelo Governo do Estado, o qual passou pela apreciação da Câmara Municipal. Ressaltou que a ponte não apresentava condições de tráfego, sobretudo por se tratar de um local utilizado por caminhões da granja, configurando situação de extrema urgência.

Esclareceu ainda que, em reunião realizada em Curitiba, o Governo do Estado reafirmou que determinadas obras devem ser tratadas como prioridade. Dessa forma, a reforma atual foi necessária para garantir a utilização imediata do local, enquanto os trâmites referentes ao projeto definitivo seguem em andamento. Acrescentou que está prevista a construção de cinco pontes em alvenaria, sendo que, em um primeiro momento, três deverão ser executadas.

Em seguida, o Vereador Vilson solicitou a palavra, que foi concedida pelo Presidente. O vereador retomou a discussão referente à CPI, mencionando a manifestação do Vereador Roberto Franco, que afirmou tratar-se de um valor pequeno para gerar grande repercussão. O Vereador Vilson concordou quanto à pequena expressão financeira do montante, porém destacou que, se não houvesse sido adotada a medida de contenção naquele momento, poderia haver risco de o Município não ter condições, no próximo ano, de arcar com a folha de pagamento dos servidores públicos, tendo em vista o crescente desgaste das contas municipais.

Registrou que, se não houvesse a intervenção da Câmara Municipal, os gastos com móveis, horas-máquinas e corte de árvores poderiam ter acumulado cerca de R$ 2.000.000,00. Destacou a atuação do Vereador Roberto Franco de Lima, ressaltando sua experiência como ex-presidente da Câmara, sua idoneidade e a fiscalização rigorosa realizada durante a gestão da ex-prefeita Luciana Bueno de Camargo, a qual, recentemente em fevereiro, terá processo instaurado e finalizado relacionado a suposto crime.

O Vereador afirmou que, ao acompanhar todas as administrações, percebe que a atual gestão apresenta desafios distintos, ressaltando a importância da participação da população, que interage pelas redes sociais com manifestações críticas ou de apoio à atuação dos vereadores. Mencionou que algumas pessoas questionam a atuação da base da Câmara, perguntando por que não defendem o suposto desfalque de R$ 23.000,00 na praça central.

O Vereador Vilson Ferreira de Castro questionou aos demais colegas se eram contrários à declaração de que as informações referentes ao aditivo não procedem e que não houve determinação do Prefeito para sua realização. Ressaltou que ainda havia espaço para manifestação dos vereadores Aparecido, Rodrigo, Edneia e Dorvalina, considerando que o tempo do Vereador Roberto já havia se esgotado.

Em tom de questionamento aos demais vereadores, o Vereador Vilson Ferreira de Castro perguntou se poderiam se manifestar perante a população sobre o assunto. Reforçou que os colegas Vereadores Luiz, Bertinho e ele próprio estariam equivocados quanto à alegação de gastos indevidos, destacando que, segundo sua análise, não houve execução das despesas apontadas. Informou que a Câmara dispõe de documentos e provas concretas, que serão analisados até a conclusão do processo. Ressaltou que a atuação de cada vereador em relação à votação é de responsabilidade individual, mas que a função de fiscalização do Legislativo será cumprida rigorosamente, e que os fatos apurados serão encaminhados aos órgãos competentes para apreciação e decisão final.

Registrou que não adianta que os colegas votem contra apenas por orientação do Prefeito Maurício, afirmando que, segundo sua percepção, a decisão de voto de alguns vereadores estaria condicionada à influência do Executivo. Ressaltou que os vereadores têm direito de se pronunciar perante a população sobre os fatos apurados, questionando os gastos de R$ 23.000,00, os supostos desfalques relacionados ao corte de árvores no município e a execução de obras, citando como exemplo a construção da clínica na Vila, onde houve divergência entre o volume de concreto previsto, resultando em prejuízo aos cofres públicos.

O Vereador enfatizando a necessidade de uso correto das expressões técnicas ao tratar de despesas e prejuízos ao erário, manifestando preocupação com a gestão da administração pública do município de Cruzmaltina.

O Vereador manifestou sua preocupação com a situação financeira do município, mencionando que cerca de R$ 2.000.000,00 em precatórios estão previstos para o próximo ano, enquanto a arrecadação municipal ainda não atingiu patamares satisfatórios, o que poderá gerar aperto financeiro podendo até ter que mandar funcionários embora. Ressaltou que a fiscalização da equipe de vereadores é necessária e deve continuar ao longo do mandato, destacando que ainda há tempo para acompanhamento rigoroso.

O Vereador Vilson destacou a fala do Vereador Roberto Franco, que parabenizou ações efetivamente realizadas. Ressaltou, porém, que o Prefeito Maurício não executou algumas obras deixadas pagas pela administração anterior. Enfatizou que é necessário reconhecer apenas as obras concretamente realizadas e mencionou a reforma de uma ponte em situação crítica, que passou a permitir a passagem de veículos escolares, obra realizada após diversas solicitações da Câmara.

O Vereador Vilson mencionou a manutenção do campo da Vila Rural, que apresentava risco à segurança devido à presença de cobras cascavéis, informando que o local foi roçado após o envio de fotos e solicitação à Secretaria competente. Destacou que manteve contato com o Secretário Vlaumir, solicitando a recuperação da estrada, que há mais de um ano não recebia a visita de maquinários, e foi informado que, na semana seguinte, seria iniciado o cascalha mento da via.

O Vereador Vilson Ferreira de Castro ressaltou que, ao constatar fatos concretos de execução de obras pelo Prefeito Maurício, parabeniza as ações efetivamente realizadas. Entretanto, destacou que, até o momento, apenas foram constatadas irregularidades, citando o desfalque relacionado ao rodeio.

O Vereador Vilson questionou diretamente o Vereador Roberto, na qualidade de presidente da festa, sobre a realização do show orçado em R$ 280.000,00, informando que, devido ao mal tempo, o evento não ocorreu. O Vereador Roberto teria informado que o show seria realizado no próximo rodeio, embora o pagamento tenha sido atestado pela Secretaria de Cultura. Ressaltou que, apesar de a administração pública possuir amparo legal para postergar a execução de serviços, o pagamento antecipado sem a realização do evento gerou questionamentos.

O Vereador Vilson registrou preocupação com a condução da gestão municipal, mencionando que o município “está navegando” sem controle adequado das finanças e ressaltando que, caso a administração continue nesse ritmo, haverá riscos à sustentabilidade financeira. Enfatizou que os gastos da administração estão equivocados e expressou sua indignação com a situação. Concluiu seu pronunciamento pedindo desculpas pelo desabafo, explicando que se trata do exercício de seu papel de fiscalização junto à população.

O Vereador Aparecido Gomes Pereira solicitou a palavra e registrou que discorda da alegação de que o Executivo teria orientado os vereadores quanto à votação, afirmando que cada parlamentar age segundo sua própria análise e convicção. Ressaltou que, durante as gestões passadas, incluindo os mandatos do Prefeito Maurício e da Prefeita Luciana, as ações eram conduzidas de forma tranquila, sem questionamentos, enquanto na atual gestão há constantes críticas e questionamentos, “aí é só chicote no lombo”.

Destacou que a pracinha central está concluída e bem executada, considerando que a população aprovará a obra, e manifestou preocupação com a excessiva crítica sobre ações já realizadas, enfatizando que não se pode levar tudo a ferro e fogo.

O vereador aproveitou para solicitar ao Secretário Vlaumir Morador, do setor rodoviário, que providenciasse a manutenção da estrada que dá acesso ao Olho d’Água, ressaltando que, devido às chuvas, a via encontra-se em condições precárias, com pedras grandes que dificultam o uso do rolo compactador comum, sendo necessário equipamento mais adequado para execução do serviço. Concluiu suas palavras agradecendo a atenção.

O Vereador Luiz solicitou a palavra e iniciou seu pronunciamento comentando os discursos dos colegas. Referiu-se ao pronunciamento do Vereador Alberto sobre o valor de R$ 193.000,00 destinados aos enfeites de Natal, destacando que não ficou claro no processo licitatório se tal valor corresponde à compra ou ao aluguel dos equipamentos.

O Vereador comentou sobre o posicionamento do Vereador Roberto, que afirmou que a atuação da Câmara se limita a críticas à administração. Luiz destacou que, infelizmente, por trás de cada ação do Prefeito, de cada obra realizada, existem registros de desvios ou prejuízos à população, impactando diretamente os recursos do município e desfalcando o povo de Cruzmaltina.

Em relação ao valor de R$ 23.000,00 apontado como desvio, registrou-se que o Vereador Roberto teria afirmado tratar-se de uma quantia insignificante. Diante disso, o Vereador Luiz ponderou que, ao dividir referido montante pelo período de 12 meses, obtém-se o valor aproximado de R$ 1.964,00, equivalente ao salário mensal de um operador municipal, que recebe cerca de R$ 1.700,00, ou de um técnico, cujo salário base é de R$ 1.670,00, mencionando, inclusive, que um servidor estava acompanhando a sessão pelo chat da transmissão.

O Vereador Luiz destacou ainda que o valor considerado como desvio corresponde, na prática, a quase um salário anual de um servidor público, ressaltando seu impacto direto na vida de famílias, afirmando: “esse valor trata de um pai de família por doze meses”, demonstrando, assim, que não se trata de quantia irrisória.

O Vereador Luiz enfatizou, por fim, que, independentemente do montante seja 50 centavos, R$ 1,00 ou R$ 1 milhão, o dinheiro público pertence à população de Cruzmaltina e não deve ser desviado nem utilizado para favorecer empresas de fora, como as de Santa Catarina, ou consórcios. Reforçou que os recursos municipais devem ser integralmente aplicados em benefício da própria população local.

O Vereador Luiz ressaltou que, embora alguns afirmem que os vereadores não destacam ações positivas da Administração, é necessário considerar que, mesmo nas obras executadas, seja na área da saúde ou na manutenção de estradas, foram constatados desvios significativos de recursos públicos, chegando a ultrapassar metade dos valores previstos.

Mencionou que, no início do ano, houve uma simulação de troca de peças em maquinário municipal, situação que nem mesmo o secretário responsável soube esclarecer. Relatou casos como a suposta troca de filtros de ar em máquinas que sequer possuíam cabine, embucha mento de conchas em equipamentos novos e pneus de triturador cujo paradeiro permanece desconhecido.

O Vereador observou que, ao analisar a atual administração, é possível identificar prejuízos ao erário, enriquecimento indevido de empresas e outros desvios de recursos públicos, razão pela qual as irregularidades precisam ser destacadas e apuradas com rigor.

Em relação à crítica de que teria permanecido quatro anos com a Prefeita e oito anos com o Prefeito Maurício, o Vereador Luiz ressaltou que cada parlamentar possui sua própria trajetória e posicionamento político. Destacou que, no mandato anterior, houve situações públicas de atuação dos vereadores, registradas inclusive em fotografias, assim como processos e manifestações em órgãos competentes, como o fórum. Comentou que alguns vereadores, como Roberto, Aparecido e o ex-vereador Vlaumir, atual chefe da frota, podem ter suas motivações pessoais para discordar do que é discutido. Ressaltou que, embora vá se conter em seu pronunciamento, reconhece que alguns possuem vínculos com cargos comissionados ou familiares na administração municipal, mas que tais aspectos não devem ser considerados no mérito das discussões em pauta.

O vereador Luiz declarou que não entraria no mérito da questão anterior e, dando prosseguimento, informou que apresentaria um assunto que deveria ter sido exposto na semana passada, mas que, em razão do tempo, não foi possível. Relatou que foi constatada novamente outra irregularidade por parte da Administração Municipal, desta vez na área da educação, lembrando que já haviam sido observadas situações semelhantes na saúde e na infraestrutura, além daquele episódio ocorrido no início do ano envolvendo material de construção na Secretaria de Educação.

Prosseguindo, o vereador destacou que, na semana do mês anterior, foi realizado um novo aditivo contratual, ressaltando que a Administração tem feito uso frequente desse instrumento. Explicou que, no mês de abril, uma empresa sediada no município de Faxinal foi vencedora da licitação referente à linha de transporte escolar que atende as localidades de Dinizópolis, Fazenda Tupã, São Domingos e Fazenda do Betinho, com rotas operadas nos períodos da manhã e da tarde.

Registrou-se a situação envolvendo o processo licitatório do transporte escolar. Informou que a referida empresa participou da licitação, disputou os lances e reduziu o valor da linha para R$ 4,50 por quilômetro. Esclareceu que todas as linhas iniciaram com valores próximos a R$ 6,00, mas essa empresa continuou baixando seu lance até vencer a concorrência.

Contudo, relatou que a empresa solicitou posteriormente um aditivo de R$ 1,12 por quilômetro, justificando a necessidade pelo aumento do preço do combustível. Destacou que a linha possui 79 km por dia, sendo a única a receber aditivo, e questionou o critério adotado, considerando que as demais linhas abastecem no mesmo posto e não sofreram reajustes.

O vereador também pontuou que, caso a empresa não tivesse condições de manter o valor ofertado R$ 4,50 deveria ter se retirado da disputa, possibilitando que o segundo colocado, antigo proprietário da linha e residente em Dinizópolis, assumisse o contrato, já que este optou por não cobrir o lance mais baixo.

Explicou ainda que o aditivo representa aproximadamente R$ 700,00 mensais, considerando média de 20 dias letivos, questionando por que esse aumento ocorreu exclusivamente nessa linha específica.

O parlamentar recordou a existência de processo judicial na comarca de Faxinal, no qual a ex-prefeita e outras pessoas respondem por suposta fraude em licitação de transporte escolar, incluindo pedidos de prisão e de monitoramento eletrônico feitos pelo Ministério Público. Ressaltou que esse histórico deveria servir de alerta para evitar que irregularidades semelhantes se repitam.

Diante disso, informou que será apresentado um requerimento na próxima semana, solicitando que a responsável pelo transporte escolar, senhora Laurinda, compareça à Câmara para esclarecer os motivos do aditivo aplicado somente a essa linha.

Encerrando sua manifestação, afirmou que as irregularidades na administração municipal têm sido recorrentes, chegando ao ponto de que, mesmo que houvesse duas sessões semanais, haveria denúncias suficientes para ambas. Finalizou desejando boa noite.

O Presidente Celso passou a presidência ao Vice-Presidente, vereador Aparecido, para que pudesse fazer uso da palavra em plenário, conforme prerrogativa regimental. Passou-se então a palavra ao vereador Celso, que iniciou seu pronunciamento afirmando que gostaria de fazer um comentário já mencionado em outras oportunidades nesta Casa de Leis, referente ao Departamento de Agricultura do município. Declarou que a situação está evidente e que somente decidiu manifestar-se porque, segundo suas palavras, “chegou ao cúmulo do caos”.

Recordou que o secretário de Agricultura já foi convocado pela Câmara, que todos os vereadores participaram da discussão e que a comunidade teve acesso às informações apresentadas. Relatou que foi mostrada uma plantadeira nova, que atualmente se encontra exposta ao tempo, sem qualquer proteção, ressaltando que o secretário não tomou sequer a providência de colocar uma lona sobre o equipamento. Observou ainda que a plantadeira “não plantou um pé de nada para ninguém”.

O vereador destacou que esta Casa de Leis deliberou pela retomada das associações pelo município, com o objetivo de dar continuidade ao atendimento aos produtores rurais. Mencionou também a realização de processo seletivo simplificado (PSS) para a contratação de tratorista, visando garantir a prestação de serviços à comunidade agrícola.

Prosseguindo, afirmou que basta passar em frente à Prefeitura para constatar a situação da plantadeira, reforçando que o equipamento não prestou serviço algum à população rural.

Informou ainda que o trator destinado às atividades agrícolas permaneceu 60 dias na oficina devido a um problema no comando, o que prejudicou ainda mais a prestação dos serviços essenciais à população. O vereador prosseguiu afirmando que o problema ocorrido com o trator não foi sequer relacionado ao motor, mas sim a um comando defeituoso que, segundo relatado, impedia o equipamento de levantar a plantadeira. Relatou que esta Casa de Leis realizou grande esforço para agilizar todos os processos necessários, com o objetivo de recolher os tratores e colocá-los à disposição da comunidade o mais breve possível. Ressaltou que todos os vereadores foram favoráveis, votaram e acompanharam cada etapa, reconhecendo que a medida representaria um bom negócio para o município e um benefício direto aos produtores rurais.

Contudo, lamentou que, apesar do empenho do Legislativo, a Secretaria de Agricultura chefiada por pessoa de conhecimento público não demonstrou o comprometimento necessário com a execução dos serviços. Informou que o período de plantio foi perdido: o plantio de milho passou sem que a plantadeira fosse utilizada, e, mesmo com a proximidade da colheita da soja mencionando, inclusive, que sua própria lavoura deverá ser colhida em aproximadamente quarenta dias a máquina permanece parada, sem ter sido utilizada para atender sequer um produtor.

Acrescentou que, ao passar pelo local onde se encontra o maquinário, é possível observar que a ensiladeira está praticamente tomada pelo mato, afirmando que “o colonião já encobriu”, demonstrando abandono e falta de manutenção.

Afirmou que a situação é tão nítida que basta ir até o local para constatar o problema. Ressaltou que os vereadores aprovam leis, trabalham para que o município funcione da melhor forma possível, buscam recursos, deslocam-se até Curitiba, organizam documentação, viabilizam tratores e maquinários. Mencionou ainda que até ex-vereador contribuiu para conquistar equipamentos para o município, destacando que dois tratores passaram pela aprovação desta Câmara justamente para fortalecer e alavancar o setor agrícola.

Diante disso, questionou de quem é a responsabilidade pelos problemas enfrentados na Secretaria de Agricultura, deixando essa reflexão aos cidadãos que acompanhavam a sessão, enfatizando que seus relatos são verdadeiros. Afirmou que, caso qualquer secretário se sinta prejudicado ou lesado por suas falas, as portas da Câmara estão abertas para que faça uso da tribuna e apresente sua versão.

Concluiu reforçando a gravidade da situação, apontando que deixar um trator parado 60 dias por causa de um simples comando, impedindo o atendimento da população, configura descaso com os produtores rurais e com a comunidade que depende desses serviços.

O vereador prosseguiu afirmando que a plantadeira, totalmente nova, encontra-se parada há aproximadamente um ano e meio, sem ter sequer plantado um pé de milho para qualquer produtor. Explicou que decidiu trazer novamente o assunto à tribuna porque, além de vereador, também é agricultor, trabalha com maquinário e conhece a execução dos serviços, o que lhe permite avaliar tecnicamente a situação.

Relatou que a população tem cobrado insistentemente soluções, pois os munícipes procuram os vereadores diariamente, especialmente aqueles que trabalham no comércio ou convivem diretamente com os produtores rurais. Afirmou que chegou ao ponto de ter enviado mensagem ao secretário da Agricultura, mas, diante da ausência de providências, decidiu não insistir mais, indagando: “Será que precisa desenhar? Vai ter que escrever num papel para ver que está errado? ”. Reforçou que a situação é evidente e dispensa explicações.

O vereador ainda destacou que a Secretaria dispõe de veículos novos, de um posto de combustível para garantir mobilidade ao secretário, e de uma oficina disponível para manutenção dos maquinários. Mesmo assim, segundo seu relato, não houve a mínima preocupação em fiscalizar o trator, acompanhar sua manutenção ou tomar providências para atender a comunidade rural, lembrando que o município é essencialmente agrícola.

Em complemento, observou que o município praticamente não possui indústrias, salvo duas empresas que atuam no beneficiamento de grãos, reforçando que a agricultura é o principal eixo econômico local, o que torna ainda mais grave o descaso com as máquinas e equipamentos destinados ao atendimento dos produtores.

O vereador prosseguiu afirmando que todo o restante da economia do município é agrícola, motivo pelo qual deixou registrado seu apelo. Ressaltou que, para chegar ao ponto de trazer tal situação ao plenário, é porque já cobrou diversas vezes e entende que a população precisa estar ciente de que o vereador está cumprindo seu papel, enquanto, segundo suas palavras, o secretário não está cumprindo sequer o básico de suas atribuições.

Pontuou que é necessário “parar de converseiro” e trabalhar mais, mencionando inclusive o slogan utilizado pela gestão. Observou que a comunidade de Cruzmaltina é carente em relação aos serviços agrícolas e relembrou que todos os processos que tramitaram na Câmara seguiram rigorosamente os trâmites legais. Destacou que os vereadores aprovaram leis, autorizaram a realização do PSS, atenderam às demandas apresentadas como a necessidade de tratorista e viabilizaram as condições para funcionamento da Secretaria de Agricultura.

Afirmou que, mesmo com todas as ferramentas e autorizações concedidas pelo Legislativo, a secretaria tem deixado toda a comunidade desassistida. Reforçou que poderia haver críticas ao fato de o vereador trazer o assunto à tribuna, mas declarou sentir-se na obrigação de tornar público o descaso, classificando como vergonhosa a situação dos maquinários da prefeitura e o prejuízo causado aos produtores rurais.

Lembrou novamente que o trator ficou quase 60 dias parado por causa de um simples comando, período durante o qual se perdeu a safra de soja que deveria ter sido plantada, além da safra de milho. Afirmou que a Secretaria terá de apresentar justificativas, especialmente em relação à plantadeira, pois serão cobrados o uso e a finalidade do equipamento, considerando que permanece limpa e sem utilização.

O vereador enfatizou a necessidade de maior cuidado com o patrimônio público, afirmando que, se não fosse para utilizar a máquina, ao menos deveria ter sido colocada uma lona sobre ela pedido que, segundo relatou, fez desde o momento em que o equipamento chegou ao município. Citou ainda que, durante visita recente do deputado Artagão, solicitou que buscassem a plantadeira para entrega oficial, mas isso não foi possível porque o trator se encontrava na oficina, impossibilitando o transporte do equipamento. Classificou a situação como vergonhosa para o município.

O vereador finalizou afirmando que, caso qualquer secretário entenda que suas colocações não correspondem à verdade e deseje apresentar provas em sentido contrário, a tribuna da Câmara está aberta, reiterando que todos estão convidados a se manifestar.